Sunday, January 4, 2009

Na lista dos teus fins venho no fim
de uma página nunca publicada,
e é justo que assim seja.
Embora saiba
mexer palavras, e doer de frente,
e tenha esse talento conhecido
de acordar de manhã, dormir à noite,
e ser, o dia todo, como gente,
nunca curei, como previa, a lepra,
nem decifrei o delicado enigma
da letra morta que nos antecede.
Por muito te querer, talvez pudesses
dar-me um lugar qualquer mais adiante,
despir-te de pudor por um instante
e deixá-lo cobrir-me como um manto.




António Franco Alexandre



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3 comments:

nd said...

Um dos poetas portugueses vivos meu preferido, foi bom lê-lo logo de manhã. Obrigado.

Daniel Francoy said...

Concordo com o nd: poema belíssimo. Às vezes penso sobre isso, o talento de acordar todas as manhãs, dormir todas as noites, e isso apesar de nunca estarmos curado da lepra ou do quer que nos incendeie.

Ah, e não sei onde você consegue essas fotos de raparigas, mas são todas elas de uma beleza extrema.

nuno said...

tu, tu, tu, sempre com estas palavras que nos apontam ao coração!